O PIB do primeiro trimestre de 2024 avançou 0,8%
No setor de serviços, destaque positivo para comércio (3,0%), informação e comunicação (2,1%) e serviços imobiliários (1,0%)

O PIB do primeiro trimestre de 2024 avançou 0,8% na comparação trimestral, levemente acima da expectativa do mercado (0,7%), acelerando em relação a queda de 0,1% observada no trimestre anterior. Em relação ao 1T23, a atividade econômica registrou alta de 2,5% (ante 2,1% anterior), avançando 2,5% no acumulado nos últimos 4 trimestres. O carrego estatístico para o ano é de 1,0%.
Em relação ao desempenho trimestral, pela ótica da oferta, o bom desempenho foi puxado pelo setor agropecuário que registrou alta de 11,3%, após recuo de 7,4% no trimestre anterior, e serviços que subiram 1,4%. Por dentro do setor de serviços, destaque positivo para comércio (3,0%), informação e comunicação (2,1%) e serviços imobiliários (1,0%). Outros serviços (1,6%) e transporte e armazenagem (0,5%) também avançaram no período. A indústria, por sua vez, recuou 0,1% no 1T24, influenciada, principalmente, pela queda de 1,6% em utilities. A indústria extrativa (-0,4%) e a construção (-0,5%) recuaram no trimestre, enquanto a indústria da transformação (0,7%) foi o único segmento a apresentar crescimento.
Sob a ótica da demanda, destaque positivo para o consumo das famílias com alta de 1,5% no 1T24 (vs. -0,3% anterior). Importante ressaltar também o avanço da formação bruta de capital fixo, que subiu 4,1% após avanço de 0,5% no trimestre anterior. O consumo do Governo (0,0% vs. 0,9%) registrou estabilidade no primeiro trimestre do ano. Em relação as contas externas, as exportações (3,0% vs. 3,5% anterior) registraram leve aceleração em relação ao 4T23, enquanto as importações avançaram 6,5% (vs. 1,4% anterior) no período.
Em relação ao 1T23, sob a ótica da oferta, o setor agropecuário registrou queda de 3,0% (ante 0,0% anterior), influenciado, principalmente, pelo bom desempenho no primeiro trimestre do ano anterior. Serviços avançaram 3,0% no trimestre na comparação anual, acelerando em relação ao trimestre anterior e com alta em todas os segmentos. Destaque positivo para o comércio (3,0%), informação e comunicação (4,6%) e outros serviços (4,7%). Serviços imobiliários (3,9%) e serviços financeiros e seguros (2,5%) também avançaram no período. A indústria registrou alta de 2,8%, estável em relação ao avanço de 2,9% no trimestre anterior. Dentre as categorias, destaca-se os crescimentos na indústria extrativa (5,9% vs. 10,8%) e utilities (4,6% vs. 8,7% anterior). O segmento de construção (2,1% vs. 0,9% anterior) acelerou em relação ao 4T23, enquanto a indústria da transformação reverteu a queda no trimestre anterior e subiu 1,5%.
No que tange a ótica da demanda, destaca-se principalmente o crescimento de 4,4% no consumo das famílias, acelerando em relação a alta de 2,3% observada no trimestre imediatamente anterior. O consumo do Governo (2,6% vs 3,0%) desacelerou, mas ainda em crescimento robusto. A formação bruta de capital fixo reverteu a queda de 4,4% no 4T23 para aumento de 2,7% no primeiro trimestre do ano. As exportações arrefeceram para 6,5% (vs. 7,3% anterior), mas ainda mantiveram forte desempenho, enquanto as importações avançaram 10,2%, revertendo a queda de 0,9% no quarto trimestre de 2023.
A taxa de investimento caiu para 16,9% no 1T24, ante 17,1% no 1T23. A taxa de poupança também recuou, saindo de 17,5% no segundo trimestre de 2022 para 16,2%.
O PIB do primeiro trimestre de 2024 registrou desempenho levemente acima das expectativas do mercado, após dois trimestres de desempenho basicamente estável. O setor de serviços e o setor agropecuário foram os destaques positivos no desempenho trimestral do PIB. Em relação ao setor agropecuário, destaca-se o bom das atividades pecuárias no começo do ano, além do bom desempenho da soja, apesar de abaixo da safra recorde observada no ano anterior, o que justifica a queda do setor agropecuária na comparação anual. No setor de serviços, note-se aceleração em cinco dos sete segmentos pesquisados, influenciados, principalmente, pelo bom desempenho do mercado de trabalho e consequentemente maior renda disponível. A indústria, por sua vez, foi o único segmento a recuar após quatro trimestres consecutivos de expansão.
Apesar disso, observa-se desempenho misto entre as categorias, com destaque positivo para a indústria da transformação, que ajudou a impulsionar as importações através da compra de máquinas e equipamentos. Por outro lado, utilities, indústria extrativa e construção recuaram. Em relação a ótica da demanda, destaque para o bom desempenho do consumo das famílias, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido. Além disso, importante destacar o aumento na formação bruta de capital fixo, recuperando-se do fraco desempenho no ano anterior. Prospectivamente, esperamos que atividade econômica permaneça robusta suportada pelo mercado de trabalho. No entanto, a perspectiva de juros mais elevados por mais tempo deve gerar condições financeiras mais apertadas e consequentemente afetar negativamente a atividade econômica a frente. Por ora, mantemos nossa estimativa de PIB de 2024 em 1,6%, mas adicionamos viés altista para a projeção.
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