25 / 06 / 24

As projeções de inflação do Banco Central registraram nova rodada de alterações

A autoridade monetária agora projeta inflação em 4,0% (ante 3,8%) em 2024 e 3,4% (ante 3,3%) em 2025

Em sua 263ª reunião, o Copom manteve a taxa de juros inalterada em 10,50%, conforme nossa expectativa e do mercado. Importante destacar que a decisão foi unânime. O Banco Central manteve-se preocupado com o cenário externo, principalmente em relação a incerteza acerca do início do ciclo de flexibilização monetária nos Estados Unidos. Adicionalmente, reforçou que a atividade econômica doméstica segue com dinâmica mais forte do que o antecipado. Além da decisão, nossa leitura do comunicado foi neutra em relação a expectativa.

O comunicado ressalta que o ambiente externo se manteve adverso, reforçando a incerteza ainda elevada em torno do início do ciclo de corte de juros nos Estados Unidos, pontuando, mais uma vez, a preocupação com o ritmo de desinflação observada em diversos países. Novamente, o comitê reforçou a determinação das autoridades monetárias das principais economias do mundo em trazer a inflação para suas respectivas metas, afirmando que tais situações exigem cautela dos países emergentes.

No que tange o cenário doméstico, o comunicado afirma que as últimas divulgações dos indicadores de atividade econômica e mercado de trabalho permanecem apresentando dinâmica mais forte do que o antecipado. Novamente, o comitê avaliou a inflação cheia ao consumidor continua em trajetória de desinflação, mas os índices subjacentes permanecem acima da meta estabelecida.

As projeções de inflação do Banco Central registraram nova rodada de alterações relevantes, com aumento na expectativa para todo o horizonte relevante. A autoridade monetária agora projeta inflação em 4,0% (ante 3,8%) em 2024 e 3,4% (ante 3,3%) em 2025. No que tange os preços administrados, o comitê reduziu sua estimativa para 2024 para 4,4% (ante 4,8%), mas manteve a projeção para 2025 inalterada em 4,0%. O comitê adicionou trecho em que expõe o cenário alternativo do Banco Central. Neste cenário, no qual a taxa de juros se mantenha no atual patamar ao longo do horizonte relevante, a autoridade monetária projeta inflação em 4,0% para 2024 e 3,1% para 2025, ou seja, a inflação permaneceria acima da meta estabelecida ainda em 2025.

O Copom manteve o balanço de riscos inalterado, ressaltando do lado altista uma persistência inflacionária maior ao redor do mundo e resiliência na inflação de serviços acima do antecipado. Dentre os riscos de baixa, o comunicado reforçou, mais uma vez, uma desaceleração da atividade econômica global mais forte do que o projetado devido aos impactos do aperto monetário sincronizado realizado por diversos países. Ainda que não tenha modificado o balanço de riscos, o comunicado registrou pequenas alterações no texto que indicam uma postura menos dura em relação a visão do cenário externo, afirmando que as conjunturas doméstica e internacional seguem mais incertas (e não mais devem se manter).

A autoridade monetária reafirmou que segue monitorando com atenção os desenvolvimentos mais recentes na política fiscal. O comitê reforçou que uma política fiscal comprometida com a sustentabilidade da dívida pública contribui com as expectativas de inflação e com a condução da política monetária. Diante do cenário exposto, o comitê decidiu manter a taxa de juros estável em 10,50%, entendendo que tal decisão é compatível com a convergência da inflação para o redor da meta em 2025.

O comunicado manteve, novamente, trecho em que afirma que o atual cenário é marcado por um processo desinflacionário mais lento, no entanto agora ressaltou uma piora adicional na desancoragem das expectativas de inflação. Em um parágrafo explicando sua decisão, o comitê afirmou a opção de interromper o ciclo de redução na taxa de juros se deu pelo cenário global incerto e maior resiliência na atividade econômica doméstica, aumento nas projeções de inflação e deterioração nas expectativas a frente. O comunicado ressaltou que a política monetária deverá se manter em patamar contracionista “por tempo suficiente” até que se consolide não só o processo de queda da inflação como também reancoragem das expectativas ao redor da meta. O Copom reafirmou que eventuais ajustes na taxa de juros a frente “serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta.” Tal trecho abre alguma possibilidade de aumento na taxa de juros a frente, caso o comitê julgue necessário. No entanto, dado o tom do comunicado, esse não parece ser o cenário base da autoridade monetária. Por outro lado, aponta que a retomada do ciclo de queda para a taxa de juros vai depender de uma melhor evolução nos indicadores econômicos.

Apesar da pausa no ciclo de queda na taxa de juros, o comunicado foi mais neutro do que o anteriormente antecipado. A decisão unânime entre os membros do Copom deve ser lida como positivo, o que pode ajudar a amenizar o estresse na curva de juros e na taxa de câmbio observado nas últimas semanas. A autoridade monetária segue preocupada com o desenvolvimento tanto do cenário externo, quanto da atividade econômica doméstica mais forte do que o esperado além da incerteza em relação a trajetória das contas públicas. No entanto, o Banco Central mostrou-se levemente menos preocupado do que a expectativa do mercado. Elevamos nossa expectativa de taxa de juros para 10,50% ao final de 2024.

25 / 06 / 24

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